sábado, 9 de outubro de 2010

O tal do "bom partido"

Relutei muito  para escrever sobre relacionamentos amorosos neste espaço.  Por diferentes motivos  tenho relutado em  ocupar meu tempo  com este  assunto. e aqui  vão alguns deles :

1-    Realmente acredito que em geral as generalizações sobre homens e mulheres  afetam demasiadamente as relações humanas. As pessoas passam a acreditar que há  papeis que devem ser cumpridos por cada qual . E nisto,  boa parte da espontaneidade e do encanto se acabam .

2-    Achar que há formulas e segredos a serem  descobertos para uma “relação”  amorosa  multiplica a chance das pessoas continuarem  os inúmeros jogos  neuróticos   idiotas e que boa parte da  população coloca em pratica. Como por exemplo regras imbecis  que já ouvi muito por ai, e cito algumas: “Se você é mulher não transe na primeira noite.” “Não demonstre interesse caso queira conquistá-lo”  “Nunca ligue no dia seguinte, espere dois dias no mínimo “.  Caso você siga estas regras e a relação aconteça  é ainda mais triste descobrir que foi o jogo  e o mecanismo neurótico que todo mundo já conhece que uniu duas pessoas, e não o encontro.

3-   Acredito que a única coisa que faz duas pessoas ficarem juntas é o desejo de estarem juntas, o resto para mim  é neurose, necessidade, status social, dependência e blábláblá

4-    Esteriótipos e milhões de coisas que escrevem em livros e piadas sobre o tal do  “cara filha da puta”,  o tal do “homem bonzinho” a tal da “mulherzinha” e etc   me dão enjôo pois reduzem os seres humanos a tipos , e  isso constrói subjetividades que acabam por fazer novamente que as pessoas se encaixem e sigam estes padrões como receitas prontas afastando cada qual de seus desejos.

5-   Há outro assuntos  muito interessantes que gosto de pensar , e acho que dos relacionamentos o bom mesmo é vive-los.

No entanto, ontem recebi um e-mail de uma amiga querida que amo muito escrevendo para pedir ajuda  e opinião sobre a “história”  que ela estava vivendo.  Ela  estava se sentido culpada  por nao estar apaixonada por um tal de cara “ideal”  que estava afim dela , o cara era isso e aquilo – o tal do bom partido-  -o tal do bom marido- e ela estava achando que estava se auto-boicotando !!  Depois que li  o e-mail fiquei com uma raiva  danada, nao dela , mas sim desses padrões .  Agora pessoas são mercadorias? O que é o tal do bom partido ?? um cara classe média,  rico, branco,  com status e cara de “bonzinho” ?  E a mulher bom partido ??   estudada , delicada, bonita e submissa ??  Aff.   Abaixo os bons partidos já !
E,  querida amiga:  bom partido é aquela pessoa que você gosta,o resto é Hollywood !  

Vai uma musica para ilustrar   o que geralmente acontece com quem casa com alguém porque ele é "o tal do bom partido"

4 comentários:

Henrique disse...

Tipo Perfeito ! Quero dizer que gostei na totalidade ! É muito bom colocar tudo o mais claro possível e acho que está aí no limite. O desconhecido também existe e é preciso saber lidar com isto também. De qualquer forma pelo lado do sim como pelo do não o futuro é sempre desconhecido ou está morto .

Lara disse...

Lia , isso é ótimo , ou melhor , LIBERTADOR!

Jake disse...

Muito Bom!!!!!!!! Uhuuu! to enviando um convite pra ser minha face-amiga! beijos e bom dia.

ארינה disse...

No meu primeiro relacionamento duradouro eu tinha um namorado perfeito. Eu não tinha nada que reclamar dele. Era o famoso "bom partido", "rapaz de família" (como eu odeio isso de moça/rapaz de família. Isso por acaso significa algo bom?). Eu nunca consegui ser apaixonada por ele e demorei muito para entender isso. Enquanto não entendia, ficava me torturando por não conseguir amar o meu namorado perfeito. Ainda bem que demorou, mas eu me libertei da culpa, do relacionamento e daquele coro "ele é um namorado maravilhoso, como você pode não ficar com ele?" ou "outro desse você não encontra". Tudo bobagem. Tem tanta gente no mundo, por que cargas d'água inventaram essa de "só existe um", "O AMOR da vida", "outra pessoa assim você não acha" etc? Isso é tudo merda que inventaram pra tornar as relações humanas ainda mais complicadas, como se precisássemos de algo mais.
Se eu tivesse dado ouvidos a essas baboseiras, poderia estar hoje casada, infeliz e frustrada porém "com um bom partido". Grande merda, não acham?