segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Sobre nos odiarem e odiarmos a nós mesmos.


Escrevi este texto com uma tristeza profunda, após ler os comentários da internet no caso da loja que esta ganhando dinheiro com a misoginia.  Ler os comentários me fez voltar a  varias lembranças e todos os momentos em que o meu e os nossos corpos  femininos foram agredidos.
Sou uma mulher que convive com mulheres. Fiz psicologia, curso que na época era praticamente um lugar de/e para mulheres,  tenho uma irmã gêmea, e  juntas sempre fomos rodeadas de mulheres, dividindo casa, dividindo sonhos, dividindo afetos.
  São anos de convívio entre  mulheres, e neste tempo todo consigo lembrar só   uma única coisa que envolva todas nós (com salvas raras exceções)  99%   compartilham o ódio por sí mesmas – as brancas, as negras, as magras, as  com corpo “padrão ISO academia” as com peito as sem peitos etc.
Numa cultura como a nossa faz parte desta constituição odiar parte (as vezes todo) o próprio corpo.  Quando não se odeia o culote, odeia a barriga, quando não é a barriga é o nariz, quando não é o nariz é o cabelo ( este da um texto a parte),  as vezes se odeia tudo, as vezes o formato da unha, as vezes o dedo, as vezes o cheiro... Com este ódio alimentamos uma maquina de produtos cosméticos, salões de beleza ( semanalmente), cirurgiões plásticos e a indústria da moda. Todos estes ganham dinheiro com nosso auto-ódio.
 Infelizmente nunca conheci uma mulher que não se odiasse pelo menos em parte, pelo menos um pouquinho.  É evidente que isto acontece em graus diferentes, tudo seguindo uma hierarquia padrão de beleza moldada por um tipo estético correspondente  as Barbie e estrelas de hollywood.  Neste sentido, imagino que 98% das mulheres da humanidade estão de algum modo fora deste padrão, ou o cabelo não é liso, ou não é magra, ou não tem peitos, ou o nariz não é fino, ou, ou, ou, ou, ou .

Somos atacadas desde sempre pelo corpo, é ele que é diariamente  odiado e colocado para “correção”, as partes deles são destruídas simbolicamente e muitas vezes fisicamente (a maioria dos feminicidios acontecem com ataque violento  a partes do corpo próprio das mulheres - vagina e peitos).   E então, o corpo que até então poderia ser fruto de prazer vira o depositário de todo ódio misógino de nossa cultura.
Na verdade, quando para gostar de uma mulher ela precisa ser esteticamente  “isto ou aquilo”  o que se quer dizer é que não se gosta de mulher.

Podemos também pensar, através da psicanalise, que a violência machista e a misoginia  estabelece por meio destes padrões estéticos determinados  uma relação persecutória entre as mulheres e seus corpos, desmantelando um dos componentes fundamentais para a saúde psíquica e física na construção de suas subjetividades:  a  necessidade que o corpo seja predominantemente vivido e pensado como local e fonte de vida e prazer.
A violência de uma cultura misógina  produz exatamente o oposto, como já apontei a cima:  odiamos nossos corpos. E ao odiarmos nos submetemos a rituais de torturas diários  como a depilação, o alisamento, a restrição alimentar... Assim, obviamente que o lugar que nos seria fonte de prazer, vira fonte de dor.  E depois de tudo isto, aquelas que não conseguem gozar ( porque aprenderam a ter vergonha do corpo) são chamadas de frigidas, frias, recatadas, e as que conseguem e aprenderam sozinhas a se amarem são as nomeadas como puta.
Neste contexto, as vezes é difícil para quem esta fora desta lógica  (que pode andar por ai sem camiseta na rua mesmo que esteja “muito magro” ou “muito gordo” sem que isto signifique nada mais que estar com calor) imaginar de fato o quanto o próprio corpo das mulheres tem sido violentado neste processo de constituição.  As lembranças desde a infância e principalmente na vida adulta de cada uma de nós mulheres deixam evidente que o corpo tal como ele é está interditado de ser significado como belo.  Para umas é preciso embranquecê-lo, para outras “bronzea-los” para outras emagrece-lo, para outras criar músculos, para todas depila-lo, ...  tudo isto por meios de técnicas que vão da violência da faca até a cera quente, pois só   assim pode ser que um corpo cheio de dor  seja minimamente  aceito.
  O ódio a mulher não nos da saída, somos de inicio e por fim odiadas. E quando resolvemos denunciar esta cultura qual o primeiro ataque ? aos nossos corpos.... Por isto e muito mais, é muito triste pensar que este ódio além de alimentar uma indústria pesada de beleza alimenta a opressão simbólica  do homem sobre a mulher,  e de nós por nós mesmas.
Talvez assim fique evidente porque amarmos nossos corpos fora dos padrões seja tão revolucionário, e ainda porque usa-los como mercadoria tão ofensivo.


-->
Ps1: Ops, pera ai.... se você for assim, assado, se comportar assim ou assado pode ser que não seja odiada ... rs

sábado, 12 de março de 2016

A sociologia é imprescindível para construirmos políticas publicas, mas não para julgarmos o que cada um de nós tem passado nesta vida.


A sociologia é imprescindível para construirmos políticas publicas, mas não para julgarmos o que cada um de nós tem passado nesta vida.

 

Escrevo uma história de uma moça que veio falar comigo depois de uma palestra para falar um pouco sobre algo que há tempos  tenho pensado : A sociologia mecânica dos ativismos faz bem a quêm ?

 

A moça é uma negra de pele muito clara, tem olhos verdes e cabelos ondulados. Sua mãe era negra e morreu quando ela era muito nova. Seu pai descendente de alemão no interior do Rio Grande do Sul levou a filha Joana ( nome fictício) para morar com a família dele. E lá  Joana sofreu o racismo no interior da família, a avó chamava ela de Schwarz ( negro em alemão) e dizia que ela servia para ser a domestica da casa. O avo falava que ela era macaquinha e batia na moça lembrando-a que ela estava apanhando por ser negra. O pai segundo ela não tinha nem força nem estrutura para defende-la. 

 

Enfim a história segue com outras tantas violências que nao vem ao caso. Joana cresceu, estudou, entrou na universidade pública e ali começou a militar. Em diversos espaços quando esta moça falava sobre racismo vivido era zombada por colegas brancos e negros que diziam com estes olhos ?  esta pele ? que racismo ?  Falas que iam deslegitimando toda uma série de experiências violentas subjetivas que marcadores sociológicos nao dão conta de explicar.  

 

Obviamente sabemos como funciona o racismo fenotípico do Brasil  onde quando mais preto menos oportunidades a pessoa têm em diferentes aspectos da vida social. E sim quanto mais claro mais privilégios simbólicos e materiais na estrutura e inserção no mundo social. Contudo, nao é honesto de ninguém pressupor quais foram os encontros de uma pessoa com a violência e muito menos fazer um julgamento rápido do que alguém sofreu ou deixou de sofrer. Ninguém sabe os caminhos por que alguém passou.  

A facilidade com que se julga os outros deveria ser a mesma com que se julga a sí mesmo. Ou seja, quando falamos sobre nós mesmos é evidente que levamos em conta uma quantidade de fatores que vão muito além de determinantes sociológicos que se resumem a classe, raça e gênero. Sim estes são determinantes estruturais de nossa sociedade e dizem muito sobre cada um de nós, contudo nunca deveríamos esquecer que cada sujeito é atravessado por uma série de outros fatores que eu aqui posso enumerar dos mais místicos até os mais objetivos. Mas que em síntese quer dizer que cada um de nós temos identificações estéticas, crenças espirituais, signos, orixás, alma,  histórias de amor e desamor, violências e afetos que ultrapassam os determinantes sociológicos e que também são construtores de toda e qualquer subjetividade. Escrevo isto porque eu trabalho diretamente com diferentes ativismos, o ativismo feminista, o ativismo anti-racista e dos direitos humanos em geral. E diariamente vejo e ouço falas que fazem uma associação mecânica das categorias sociológicas aos sujeitos. Interpretam e julgam o quanto cada um de nós sofreu ou nao sofreu devido a puramente categorias sociológicas.  

Tenho dito que brancos, negros, homens, mulheres, heterossexuais, homossexuais são todas categorias de construção de classificação e hierarquizações dos sujeitos, mas o mais importante é pensar que estas categorias só existem em relação. E o que isto quer dizer ?  que ninguém, absolutamente ninguém sofre porque é negro. A pessoa sofre pelo encontro, pela relação que se tem diante do racismo. Ninguém sofre por ser mulher, mas sim pelo encontro e relação que estabelece na vida com pessoas mais ou menos machistas e por estarem inseridas em uma sociedade estruturada pelo patriacardo e pelo racismo.  Uma moça negra de pele muito escura em uma família de negros com identidade positivada nascida na  capital da Nigéria possivelmente sofreu menos racismo que Joana.  Por isto sempre bom lembrar que ninguém sofre pela quantidade de melanina na pele e sim pelo modo e pela forma com que se da o encontro com o racismo.  

Fiquemos atentos pois a sociologia é imprescindível para construirmos políticas publicas, mas nao para julgarmos o que cada um de nós tem passado nesta vida.
Beijo em todos.

Lia


sexta-feira, 31 de julho de 2015

Porque sou contra o espetáculo de Brett Bailey Exibth B ?



Cabe nos perguntarmos  a seguinte questão:  Como e porque algo denunciado por sujeitos negros como agressivo e violento pode ser anunciado  pelo diretor como algo intencionalmente anti-racista?
Colocando os dados na mesa de discussão: Este  é um projeto de um diretor sul-africano branco que percorre o mundo selecionando atores negros para expô-los imóveis e em silêncio, e que recria em palco as atrocidades sofridas por negros em tempos de escravidão com atores sendo enjaulados, amordaçados, agredidos e torturados como uma espécie de zoológico humano. A intenção segundo ele  é provocar a consciência da maioria branca.

Partindo do pressuposto do diretor que o espetáculo tenha inicialmente uma intenção anti-racista é possível deduzir que este esteja preocupado em denunciar as atrocidades vividas por homens e mulheres negros e negras, contudo alguém que de fato se comove com a dor destes sujeitos deveria no mínimo ouvir e refletir sobre as denuncias dos ativistas negros sobre a recepção estética de sua obra.

É  quase unânime entre os ativistas negros que a obra de Brett Bailey  remonta a situação colonial não apenas como  figuração mas sim como algo que  continua  colocando o negro  em posição subalterna em que estes são  humilhados, destituídos de humanidade, sem voz própria.  Se ainda, pensarmos que este é um espetáculo comercial que irá gerar lucro para seus idealizadores o quadro fica ainda pior, pois se utiliza da dor negra, de atores negros para promover um diretor branco que não  parece de fato sensibilizado para ouvir o que vozes negras tem a dizer sobre sua obra. Neste sentido, quem deve pautar o que é racismo ou o que não é racismo são os homens e mulheres negros e negras. A nós  brancos cabe ouvi-los e compreender o porque e de que forma aquilo que intencionalmente para nós não seria racismo para eles é.

São os negros que sentem na pele a desvalorização e humilhação geradas pelo racismo. Respeito é ouvir  e compreender o que eles tem a dizer a partir do ponto de vista dos negros e não ponto de vista branco supostamente bem intencionado. Portanto, se negros e negras dizem que é racismo e que se sentem violentados pelo espetáculo o mínimo que o diretor deveria fazer é refletir sobre o porque sua obra foi recepcionada pelos negros desta forma

Podemos pensar também o seguinte: se uma das características do racismo em nossa sociedade é a naturalização do negro em lugares subalternos não seria mais eficaz colocar atores brancos para vivenciarem uma espécie de zoológico humano ?  Se, como diz o diretor o espetáculo é uma obra de arte porque então naturalizar estes lugares ao invés de sensibilizar o branco ( já que esta é a intenção)  fazendo com que este vista a pele do Outro?

Outro fator importante a ser destacado é que o espetáculo remonta a idéia do negro como “naturalmente”escravo e portanto não desloca a história colonial para aquilo que realmente deve ser contado, a saber: a história dos negros e negras nao começa na escravidão mas sim que história negra foi apagada por ela. Negros e Negras foram escravizados por brancos e portanto a história que deve ser remontada é de respeito pelo passado sofrido desta população, bem como a história de protagonismo negro. Nós precisamos de histórias que remontem a humanidade negra que foi arrancada e violentada por sujeitos brancos, e nao histórias e narrativas que remontem e desumanização.

Cabe dizer que SIM, é importante  que brancos se sensibilizem com a causa negra, mas isto só pode acontecer quando estes abrem mão de seus privilégios simbólicos e matérias gerados pelo colonialismo e pelo racismo, e se de fato Brett Bailey tem a intenção de proporcionar consciência anti-racista que tal abrir mão do privilégio da palavra e ouvir o  que os negros tem a dizer ? 


 ps1: me recuso colocar uma imagem do espetáculo pois seria reproduzir a violência. para quem quer saber mais coloque o nome Exibth B  no google imagens. 

ps2:  aqui tem uma petição para assinar contra o espetáculo:



sexta-feira, 28 de março de 2014

mulheres merecem ser estupradas ? e você, o que tem a ver com isto ?



Lembro como se fosse hoje, que , quando eu estava na faculdade de psicologia saímos em bando para tomar uma cerveja pós aula. Uma mesa enorme cheia de mulheres entre os 18 e 24 anos, o papo estava leve e gostoso até que chegou nas contradições de gênero. Eis que uma das meninas resolveu contar que havia sido violentada aos 12 anos quando estava de biquíni perto de um parente. De repente nada menos que ¼ das mulheres ali presentes se encheram de lagrimas nos olhos e compartilharam suas histórias de violências e abusos. Éramos em 19, e destas 19 mulheres 8 já haviam sido violentadas sexualmente. E os depoimentos mostravam que aquilo deixou marcas de sofrimento, as vezes insuperáveis para todas... Sofrimentos físicos e psíquicos que marcam uma vida inteira. Enfim, aquela mesa e aqueles depoimentos poderiam servir para um texto de mais de 1000 paginas, porém o que gostaria de dizer é que :

Ontem foi veiculada uma pesquisa do IPEA que diz que : no relatório do Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) sobre a tolerância social à violência contra as mulheres (de 27/03/2014), 58,5% dos entrevistados, concordaram, total ou parcialmente, que “se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros”, enquanto que 65,1% concordaram, total ou parcialmente, que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”.
Eu até agora não havia conseguido compartilhar a noticia, pois me perguntava: O que fazer com este resultado ? qual o intuito de divulgar ? divulgá-la pode fazer alguma conscientização ? Não cheguei a nenhuma conclusão. No entanto, apelo para que pelo menos os meus amigos parem para pensar minimamente 5 minutos na questão e reflita o modo como você tem julgado ou tratado as mulheres, pelo menos as mulheres do seu circulo de amizade. Reflita, o quanto você contribuí para legitimar esta epidemia sexista e violenta na qual estamos todos inseridos.
Grata. 



quarta-feira, 5 de março de 2014

Texto de Luis Vinicius Belizário para o que eu chamo de recalque do homem branco ressentido de perder um minimo privilégio.

Resposta de Luis Vinicius Belizário   para  o texto de  André Forastieri




JÁ VI ESSE FILME (Não Mané, você não viu)
Eu era criança quando passou na TV a minissérie Raízes. O mundo parou para assistir a saga de Kunta Kinte, capturado na África, escravo nos EUA. Depois vi outros com tema similar, Amistad, Queimada etc., e chega. Eu abriria exceção para ver um filme inteligente sobre a escravidão no Brasil. Mas nunca fizemos e duvido que façamos.
Eu também era criança quando assisti a mesma minissérie Raízes (que por sinal se baseou no livro Negras Raízes - aposto que você não leu - e conta a saga da família do autor Alex Haley). A famosa minissérie não tem nada em comum com “12 Anos de escravidão” a não ser que é uma história que também aponta para os horrores da escravidão moderna. Amistad, Queimada também não são a mesma coisa (aposto que não assistiu mais nada relacionado á questão negra, pois é preconceituoso demais para tantas informações reveladoras).
Sinceramente não entendi onde foi que você “Já viu” este filme. Diz isso por conta dos protagonistas serem negros? Por lidar de alguma forma com a escravidão? Se formos levar á “ferro e fogo” então deixaremos de assistir filmes sobre o holocausto (“só tem judeu”), sobre o extremo oriente (“só tem japa’s”), sobre a Europa (“só tem brancos”), jornalismo televisivo brasileiro (“só tem brancos”), novelas da rede globo (“só tem brancos”), cinema brasileiro (“só têm brancos”). Tenho certeza que você não diz “Já vi este filme” para estas produções.
Talvez você esteja querendo influenciar outros como você a desqualificar o filme ou então querendo impressionar os desavisados seguidores do seu blog. A premissa básica para um bom crítico é conhecer antes de tecer qualquer comentário mais contundente, mas o que você fez aqui foi á antítese do “Beabá” do profissionalismo e da academia também. Como bom jornalista você deveria saber ao menos disto! Ops perdoe-me por ser tão duro talvez você não seja tão bom jornalista assim. Neste caso, pode continuar criticando sem conhecer.
 É FILME DE JUDIAÇÃO (Judiação são seus argumentos)
Parei de ver filme com tortura quando meu filho nasceu. Não suporto ver gente sendo espancada, maltratada, picada em pedacinhos. Não assisti nenhum desses Jogos Mortais, e fechei os olhos nas cenas mais horríveis de Django Livre. Virei um coroa banana. Li sobre as "cenas fortes" de 12 Anos de Escravidão, e não são para o meu estômago.
Nas cenas mais horríveis de Django Livre? Django todo é “horrível”! Seja pela proposta simplória e estereotipada ao tratar sobre a escravidão e os afro-americanos ou pelo seu modelo de sucesso de “filme exagero”. Agora comparar estes dois filmes é mais absurdo ainda. Duas coisas totalmente diferentes tanto na abordagem dos diretores como na proposta da filmagem. Incluir jogos mortais neste pacote então é de uma imbecilidade impar e sei que você não é um André. Eu acho...
Preocupante a sua argumentação e justificativa André Forastieri.
 É FILME DE CHORADEIRA (De chorar é a sua superficialidade)
Não vejo filmes lacrimosos, sejam com escravos ou não. A Cor Púrpura é o único filme de Steven Spielberg que nunca vi nem verei.
 Já viu todos os outros do Spielberg então? O que dizer da lista de Schindler? Ahhh que coisa mais feia André! Bom senso e coerência não fazem parte dos seus argumentos pelo visto. “A cor púrpura” do Spielberg é baseada na obra da premiada romancista Alice Walker que o lançou em 1982 e no ano seguinte foi agraciada com o Prêmio Pulitzer. E tem mais, apesar dos protagonistas serem negros a questão racial é secundária se você considerar todo o roteiro. Além da discriminação racial (algo que você não lida bem) é abordada com muita ênfase a questão do machismo patriarcal, as relações afetivas, o amor, a amizade, carências, desamor á desigualdade em todos os sentidos para as mulheres só para citar algumas coisas. Mas aposto que você não leu este livro também não é? Mais uma vez criticando sem conhecer. Mas tudo bem, você não é um bom jornalista então pode!
Oh meu Deus! Perdoe-me mais uma vez, esqueci que você desistiu da faculdade de jornalismo né? Não teria como aprender sobre estas regras básicas na universidade então. E pelo visto a vida profissional não foi capaz de te ensinar também né? Ou você não foi capaz de aprender?
Desculpe, pode continuar com a sua incoerência então!
A FOTOGRAFIA É LINDA (Se fosse possível uma foto da sua alienação)
Vi no trailer aquela luz dourada, aquele enquadramento épico. Não tem recurso cinematográfico mais repulsivo que fotografar lindamente o horrível.
Repulsivo? Evidenciar o horrível, alertar para a miséria da alma humana, denunciar as atrocidades dos sistemas sociais, execrar a sombria egoísta ganância da humanidade é repulsivo? Será que alguém de respeito e influente disse o mesmo quando Picasso pintou a Guernica? E “Os Retirantes” de Portinari também se enquadra na esfera da repulsa? E a foto ganhadora do Pulitzer em 1994 de Kevin Carter que mostrava uma criança e um abutre denunciando a fome no Sudão?
Isso até pode ser repulsivo André, mas o que nos provoca ojeriza não é a obra pintada, desenhada ou fotografada em si, mas sim aquilo que a provocou, a ganância e o egoísmo humano. Não devemos evitar estas imagens, pois elas nos fazem refletir, nos tira de nossa redoma egocêntrica, nos faz pensar em como existem tantas coisas para fazer neste mundo. Se uma pessoa não é capaz de enxergar isso, a sua existência torna-se insignificante e esta pessoa sim se torna repulsiva.
 O DIRETOR É PSEUDO (André Forastieri é pseudojornalista. Quase um skinhead)
Steve McQueen é inglês, negro, mora em Amsterdam. É metido a artista, fotografa, faz esculturas, dirigiu filmes experimentais. Cita como grandes referências Andy Warhol e a Nouvelle Vague.  É casado com uma crítica de arte. Vi Shame, filme anterior dele, sobre um viciado em sexo. É lentíssimo, a maneira mais preguiçosa de denotar realismo. Fora que tem o nome errado. O Steve McQueen que eu cresci curtindo era americano, branco, tarado por carangas e casado com Ali McGraw.
André Forastieri é Piracicabano, branco, filhinho de papai sempre com dinheiro para comprar HQ’s e que desistiu da faculdade de jornalismo e de história na USP. Empresário metido á jornalista, blogueiro e crítico do que ele bem decidir. Com grande soberba faz analogias e comparações desconexas em seu discurso e quando a questão é o outro (no sentido empregado por Todorov em “Nós e os outros”) o seu preconceito é tão grande que ele não consegue disfarçar, mesmo quando tenta se passar por um indivíduo defensor dos humanos de modo geral.
Não escreve bem, não é coerente e se acha um jornalista importante. Os jornalistas que eu conheço podem até não ser imparciais já que isso não existe, mas ao menos eles pensam antes de falar e mesmo quando possuímos pontos divergentes tenho que concordar que ao menos eles são coerentes em suas argumentações.
Antes de partir para o próximo item eu gostaria de apenas deixar um pequeno exemplo do que estou dizendo. Olha a frase do nosso grande André Forastieri: “O Steve McQueen que eu cresci curtindo era americano, branco, tarado por carangas e casado com Ali McGraw”.
Minha pergunta: O que faz do saudoso Steve McQueen melhor que o diretor de 12 Anos de Escravidão?
Vamos á algumas comparações fornecidas por Forastieri então:
Primeira Comparação:
Black McQueen – Inglês e mora em Amsterdam.
White McQueen – Estadunidense.
Segunda Comparação:
Black McQueen – Escultor (A falta de talento artístico do André Forastieri diz o contrário).
White McQueen – Tarado por carros.
Terceira Comparação:
Black McQueen – Casado com uma crítica de arte
White McQueen – Casado com Ali McGraw (O que o bobão do André Forastieri não citou é que o “White McQueen” foi o pivô da separação dela e depois de cinco anos se divorciou e “destruiu” a carreira  artística da atriz já que ela nunca mais conseguiu bons papéis como antes de se casar com ele).
Quarta Comparação:
Black McQueen – Fotógrafo (O recalque do André Forastieri diz que não).
White McQueen – Era branco (Para André Forastieri isso é o mais relevante).
Quinta Comparação:
Black McQueen – Metido á artista (segundo a inveja racista de André Forastieri)
White McQueen – Era branco (Heil Hitler)
Sexta Comparação:
Black McQueen – Foi influenciado por Andy Warhol e a Nouvelle Vague
White McQueen – Era branco (“Existe algo melhor que isso?” É a voz da consciência de André Forastieri falando)
Entenderam onde está a vantagem do McQueen estadunidense, BRANCO e “cônjuge exemplar” de Ali McGraw?
Ai André Forastieri... Como você é amador!
É FILME PARA GANHAR OSCAR (Pseudocrítico de cinema)
Quem vota nos prêmios do Oscar? Já expliquei em detalhes uma vez, leia aqui. Mas o prêmio de melhor filme geralmente vai para histórias de superação, dramáticas, tocantes, e se tiver minorias envolvidas, as chances aumentam.
O cara escreve uma matéria explicando como funciona a confusa premiação do Oscar e termina o seu texto dizendo que no final das contas, nós meros espectadores apenas podemos apostar, pois a incoerência da academia é explícita correto? Para quem não leu a matéria, o autor deixa o link logo acima na fala dele.
Depois disto ele vem nos dizer que os filmes vencedores são os que possuem histórias de superação e que sejam dramáticos, tocantes e se possuírem minorias melhor? Não entendi.
A “porcaria” da Academia não é imprevisível e os votos dos participantes não são confusos e ilógicos?
Pelo que entendi então a Academia é previsível e não uma incógnita como você escreveu em sua matéria. O filme realmente ganhou o Oscar e a sua previsão estava certa. Nem precisamos de apostas!
Forastieri meu velho, você tem alguma forma rara de dislexia crônica ou algo do tipo? Se tiver avise, assim eu paro de te expor desta forma.
 É FILME PRA GANHAR DINHEIRO (E qual filme de Holliwood não é senhor especialista?)
McQueen sempre fez filme pra ganhar prêmio, e ganhou muitos. Agora fez um pra ganhar prêmio e dinheiro. Brad Pitt é o produtor, e espertamente reservou um papel para si mesmo, para turbinar a possibilidade de faturamento. 12 Anos de Escravidão custou vinte milhões de dólares. A bilheteria já passa dos 130 milhões. Se levar uns Oscars, pode chegar a duzentos milhões.
 Hmmmmm... Não entendi este seu argumento! Quer dizer que um dos motivos para não assistirmos o filme é ele ter sido feito para se ganhar dinheiro?
Você já teve coragem de dizer para os fãs de Star Wars, Harry Potter e Senhor dos Anéis, por exemplo, que eles não deveriam assistir ao filme, pois os mesmos foram produzidos para se ganhar dinheiro? E se por acaso amanhã explodisse em todas as mídias a seguinte declaração:
“As revistas EGW (Electronic Game World) e os sites GameWorld, NintendoWorld e Herói não devem mais ser consumidos, pois são produzidos para ganhar dinheiro”
Será que o público de mais de três milhões de usuários/ mês iriam atender á declaração? Não creio que somente esta informação fosse capaz de mobilizar tamanha massa populacional. E se por milagre isso ocorresse, o que aconteceria com o seu emprego senhor expertise?
Tenha santa paciência senhor André Forastieri. Você chega ao extremo do patético. Já o filme de Steve McQueen poderá chegar aos duzentos milhões, como você também previu.

É BASEADO EM UMA "HISTÓRIA REAL" (A lista de Schindler também foi.)
Proliferam filmes que se dizem baseados em histórias reais. É uma tática marketeira pra fazer o espectador se importar com o filme. Muitas vezes são só ligeiramente inspiradas na realidade.
É o caso? Não sabemos. Northrup não escreveu 12 Anos de Escravidão, ou pelo menos não escreveu sozinho. Aparentemente ele contou a história para David Wilson, escritor profissional, que era branco. Northrup foi fiel aos acontecimentos? Wilson foi fiel ao relato de Northrup? Jamais saberemos. O livro vendeu bastante quando lançado, mesma época do sucesso de outro livro sobre a crueldade da escravidão, "A Cabana do Pai Tomás".
Filmes baseados em “histórias reais” de negros não são merecedores de respeito e seriedade? Estas histórias merecem ser contestadas de forma diferente das “histórias reais” de brancos? Ridículo este seu argumento Forastieri, ridículo!

OS SOFREDORES SÃO LINDÕES (E os opressores são ignóbeis como você)
Já viu filme em que as minorias perseguidas são corcundas, banguelas, desconjuntadas? Nem eu. E nem você verá em 12 Anos de Escravidão.
Se ninguém nunca viu qual a obrigação deles estarem presentes em “12 Anos de Escravidão”? E onde está a regra de que minorias perseguidas são corcundas, banguelas e desconjuntadas? Negros e indígenas no período da colonização possuíam estas características? Se compararmos eles aos portugueses, os segundos possuíam uma condição física e de saúde muito pior do que a destes povos (minoritários, perseguidos e escravizados) De onde você tirou esta afirmação Forastieri? Sem nenhum fundamento. Acho que nem o senso comum sustenta esta sua afirmação!
Ah, desculpe! Esqueci que você abandonou a faculdade de história também! Pior que isso não justifica esta sua afirmação esdrúxula.  
É FILME OBRIGATÓRIO (Obrigatório é o seu blog)
De vez em quando aparece um desses, que todo mundo tem que assistir, porque "importante", edificante, promove valores etc.
Você falou muito bem, promove valores! Isto ocorre para aqueles que possuem como filosofia de vida uma melhora constante em sua forma de ver e analisar as coisas. Edifica aqueles indivíduos que buscam olhar a cada dia o mundo de forma diferente. Melhora as pessoas que entendem que o outro de alguma forma é a sua extensão e aquilo que é feito com os outros de alguma forma impacta sobre elas em algum momento.
Já no seu caso André, realmente o filme não é obrigatório, pois ele e pouca coisa neste mundo (por tudo o que li de você até agora) seriam capazes de mudar esta sua forma reacionária de ver as coisas. Obrigatório mesmo é o seu blog, seus textos, suas ideias sobre o mundo. A prova mais palpável de que o universo do conservadorismo é permeado de uma ignorância infinita.
BRAD PITT (André Forastieri)
É ruim em filme de ação e pior que péssimo em drama. Também produziu este filme, o que talvez explique o visual estilo "Lendas da Paixão". Brad devia só fazer comédia, onde manda bem (vide Bastardos Inglórios e Queime Depois de Ler).
André Forastieri é ruim escrevendo, criticando e ao demonstrar conhecimento sobre o mundo. Vive em seu mundinho permeado de valores eurocêntricos que gira em torno de seu umbigo (branco) e dissemina discretamente ideias eugênicas e racistas.
O típico brasileiro que brada aos quatro cantos que não é racista e que não vê diferença entre negros, brancos, indígenas, amarelos... O clássico hipócrita que sorri e dá tapinhas em nossas costas, mas que no momento oportuno nos cospe na face e nos apunha-la por trás.
Forastieria deveria só administrar sua empresa e dirigir o conteúdo da única empresa brasileira de comunicação especializada em games, onde manda bem (vide a EGW, e mais três sites, GameWorld, Nintendo World e Herói).
ELENCO DE GIBI (Elenco de ignóbeis reacionários)
Michael Fassbender é Magneto. Benedict Cumberbatch é Sherlock Holmes. Eu veria um filme promovendo o encontro do mestre do magnetismo com o mestre dos detetives. Mas não este.
André Forastieri é George W. Bush, Lobão é Ronald Reagan, Rachel Sheherazade é Margareth Thatcher, Olavo de Carvalho é Mussolini, Diogo Mainardi é Pinochet e Felipe Moura é Médici. Eu não veria um filme promovendo o encontro dos mestres do Neoliberalismo, Nazifascismo e do Genocídio, pois já sei onde vai dar tudo isso. Vocês são figurinhas repetidas e merecem ser dispensadas da possibilidade de retorno André. Melhor não insistir vocês!
 A CRÍTICA É UNÂNIME (Voltando pra escola. Que tal?)
E toda unanimidade é burra. De 250 críticos pesquisados pelo site Rotten Tomatoes, 96% deram notas 9 ou 10 para 12 Anos de Escravidão. Foi escolhido como melhor filme de 2013 por Peter Travers e Owen Gleiberman, respectivamente da Rolling Stone e Entertainment Weekly, que não entendem nada de coisa nenhuma.
 Unanimidade não seria 100%? Se temos 96% dos críticos dando notas altas temos uma MAIORIA e não uma UNANIMIDADE, certo? Ou estou equivocado?
“Rolling Stone e Entertainment Weekly não entendem nada de coisa nenhuma”? Sério André? Talvez eles entendam sobre algo que você não faz a mínima ideia e talvez estejam considerando questões que você é incapaz de observar. Por isso talvez o senhor esteja dizendo isso! Já ouviu falar na Lilia Moritz Schwarcz e na Maria Helena Pereira Toledo Machado?
Elas são professoras titulares na antropologia e na história na USP. Talvez antes de abandonar o seu curso de História você tenha tido aula com uma delas. Sei que você não aprendeu nada, mas elas têm algo pra te dizer neste artigo publicado na Folha de São Paulo (Um pouquinho de Brasil). Se for capaz leia! http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrissima/154391-um-pouquinho-de-brasil.shtml
E OS ESCRAVOS DE HOJE? (Só pra te explicar)
A escravidão continua, disfarçada ou semi. Muitos dos governos que restringem a liberdade de seus povos contaram e contam com o apoio financeiro e militar dos Estados Unidos. Para citar um óbvio, sobre o qual escrevi, está aí a Arábia Saudita. Hollywood é hipócrita: só aplaude filme-denúncia sobre o passado distante.
Só Hollywood é hipócrita Forastieri? O que dizer dos escravizados nos campos agrícolas espalhados por todo o Brasil produzindo os alimentos que nós consumimos? E os bolivianos costurando para as grandes grifes de roupas que você utiliza? E as empregadas domésticas em regime semiescravo e com um salário que nem deveria receber este título de tão baixo que é?
E os desafortunados deste país que sobrevivem com uma mísera bolsa de auxílio dos governantes como forma de garantia de votos para que continuem no poder e a perpetuar um modo de vida desigual para poucas pessoas como você e insustentável para a grande maioria que jamais terá condições de sequer comprar uma única revista que você edita na Tambor?
Só Hollywood é hipócrita André? Ou todos nós somos?
 PARECE CHATO PRA DEDÉU (Parece?)
Assisto filmes desde 1970 e aprendi a confiar na minha intuição: se parece ruim, é ruim.  Também aprendi com Jorge Luiz Borges a relaxar sobre minhas supostas obrigações de ler ou assistir isso e aquilo. Ele ensinou: tudo se permite a um livro, menos que ele seja chato. Vale para cinema - em dobro.
Conheço pessoas racistas desde 1970 e aprendi a confiar não somente na minha intuição, mas nas pesquisas, teses e levantamentos científicos: Se manifestam racismo pelas atitudes ou pelo discurso são racistas. Também aprendi com o passar dos anos e os aprendizados da vida que tudo é permitido a uma pessoa (mas ela precisa arcar com a responsabilidade daquilo que decidir), mas eu não sou obrigado á aceita-las e muito menos tenho que me calar em nome do direito á liberdade de expressão. Um babaca sem conhecimento algum sobre a vida possui seus direitos, mas não o direito de subverter e conduzir crianças, jovens e adultos sem esclarecimento para o limbo da ignorância com ele. E isso vale para você André Forastieri – em dobro.
 NÃO TENHO CULPA (Eu tenho humanidade)
Todo império teve seus escravos, da Mesopotâmia à Inglaterra. Na América Latina, portugueses e espanhóis escravizaram os nativos. Todos nós temos antepassados escravos, servos, oprimidos. Os africanos foram trazidos à força para a América, crime imperdoável - mas um entre muitos, cometido há muito tempo.
Me incomodam bem mais os crimes cometidos hoje. Não tenho a menor culpa pelo sofrimento dos escravos brasileiros, que dirá dos escravos americanos do século 19. Assino embaixo da análise do escritor Orville Lloyd Douglas, canadense e negro: "não vou assistir. Esses filmes são criados para uma audiência branca e liberal, para fazer esse público se sentir culpado".
Se concordou com o que disse Orville Lloyd Douglas por qual motivo ainda não assistiu? O filme foi feito para você, branco e liberal e que ainda não vê a relação dos indivíduos entre si. Que não possui altruísmo, que considera a situação de um povo mais sofrida que a de outro, que defende valores nacionalistas e não entende a diferença entre isso e o patriotismo e que acha que a “Senhora Mão Invisível do Mercado” é capaz de resolver todas as mazelas promovidas pelo capitalismo.
Você é daqueles reacionários disfarçados de liberal que não hesitam em encontrar um discurso ou frase de um negro para corroborar com a sua linha de raciocínio, mas que na primeira oportunidade irão desqualificar este mesmo negro pelo simples fato dele ser negro. Ao contrário de você eu me sinto culpado sim André.
E não somente pela questão do escravismo moderno (que ao contrário do que você disse “foi ontem” e por isso ainda é tão vivo em nossas vidas), mas pelos indígenas dizimados e pelos poucos que ainda resistem, pelo genocídio dos judeus, pela desigualdade de gênero, por todos os povos asiáticos que hoje ainda sofrem e são dizimados por grupos e governos autoritários. Toda vez que eu fico em silêncio, que eu não denuncio ou que não reconheço o sofrimento, a luta e a legitimidade destes movimentos eu contribuo para o seu enfraquecimento e me coloco do lado do opressor.
Acho que definimos muito bem de qual lado estamos não é senhor Forastieri?
Eu tenho culpa sim e só a elimino quando eu não me calo!
Como um bom pai que você é eu não acredito que gostaria que o Tomás se sentisse envergonhado por você, mas da forma que se posiciona e que difunde suas ideias o legado que está deixando é vexatório.

 Se realmente vai continuar a escrever desta maneira o melhor seria manter algo sigiloso e não público. Caberia mais um diário de memórias que no futuro alguém possa publicar ou queimar, mas não um blog com um pseudo ar de intelectualidade e que no fundo promove somente ideias ultrapassadas e um senso comum da pior qualidade.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Racismo já pregou uma peça até em mandela !

O racismo é algo tão cruel, e naturalizado que já pregou uma peça até em Mandela, em sua bibliografia ele conta:

""Um dia, andando pela cidade, notei um mulher branca na sarjeta, roendo espinhas de peixe. Era pobre e aparentemente estava desabrigada, mas era jovem e chegava a ser até atraente. Eu sabia, é claro, que havia brancos pobres, brancos que eram tão pobres quanto os africanos, mas era raro ver um. Estava acostumado a ver mendigos negros na rua, e espantei-me ao ver um branco. Eu dificilmente dava esmolas a mendigos africanos, no entanto tive um impulso de dar dinheiro àquela mulher. Naquele momento percebi como o apartheid nos prega peças, pois as aflições por que passam os africanos são aceitos com naturalidade, ao passo que meu coração se condoeu imediatamente por aquela branca encardida. Na África do Sul, ser negro e pobre era normal; ser branco e pobre, uma tragédia". ( p. 158)
Alguma semelhança com nosso Brasil ?


Que todos nós cuidemos diariamente com as peças pregadas pelo racismo, e façamos um esforço para não naturalizar aquilo que foi cruelmente construído por nós humanos, mas que, pelo fato de ter sido nós humanos os responsáveis por tamanha aberração, somos nós os responsáveis por desconstrui-lá.
14