sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Racismo já pregou uma peça até em mandela !

O racismo é algo tão cruel, e naturalizado que já pregou uma peça até em Mandela, em sua bibliografia ele conta:

""Um dia, andando pela cidade, notei um mulher branca na sarjeta, roendo espinhas de peixe. Era pobre e aparentemente estava desabrigada, mas era jovem e chegava a ser até atraente. Eu sabia, é claro, que havia brancos pobres, brancos que eram tão pobres quanto os africanos, mas era raro ver um. Estava acostumado a ver mendigos negros na rua, e espantei-me ao ver um branco. Eu dificilmente dava esmolas a mendigos africanos, no entanto tive um impulso de dar dinheiro àquela mulher. Naquele momento percebi como o apartheid nos prega peças, pois as aflições por que passam os africanos são aceitos com naturalidade, ao passo que meu coração se condoeu imediatamente por aquela branca encardida. Na África do Sul, ser negro e pobre era normal; ser branco e pobre, uma tragédia". ( p. 158)
Alguma semelhança com nosso Brasil ?


Que todos nós cuidemos diariamente com as peças pregadas pelo racismo, e façamos um esforço para não naturalizar aquilo que foi cruelmente construído por nós humanos, mas que, pelo fato de ter sido nós humanos os responsáveis por tamanha aberração, somos nós os responsáveis por desconstrui-lá.
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segunda-feira, 6 de maio de 2013

Quem tem medo de dizer sua cor/raça ?


Quem tem medo de dizer sua cor/raça ?



          O Estadão hoje (5/5/2013), na  parte “opinião” colocou um artigo criticando a politica do “quesito cor”  nos currículos dos pesquisadores. O  argumento central é que as políticas raciais acabariam com o ideal de um país  misturado, onde a cor dos indivíduos não deveria influenciar a vida dos mesmos. E optar por esta politica significaria  dividir o Brasil entre “raças”. Ora bolas? Os números de brancos e negros nas  universidades, nas mortes por policiais, nos cargos de poder já demonstraram  que o racialismo e o racismo já existem para além de qualquer política do  Estado. A raça como categoria social já funciona no cotidiano de brancos enegros. Os brancos pelos privilégios que adquirem e os negros  pelos aviltamentos em seus direitos fundamentais.

           No artigo do Estadão o autor alega que “O resultado é que a sociedade estáagora legalmente dividida em negros e pardos de um lado e brancos de outro”  Aqui nos cabe  perguntar  honestamente  se é esta politica  que fez esta divisão ou o racismo arraigado em nossa sociedade?  Ainda como se não bastasse os privilégios  de 500 anos que os brancos adquiriram na sociedade Brasileira estruturada pelo escravismo e posteriormente  pelo racismo, quando há, por parte do Estado uma  atitude de se reparar tamanha injustiça e violência  a parte dominante de nossa sociedade (a opinião do estadão por exemplo é uma) atua condenando a luta  pela construção da identidade racial escolhida pelo Movimento Negro atual e enaltecem  a suposta “democracia racial” argumentos que sempre foram escolhidos, em sua  maioria, pelas elites intelectuais e políticas brasileiras como instrumento  ideológico, que desconstrói a luta por direitos iguais entre negros e brancos  na sociedade brasileira. Há neste discurso uma atuação para que nossa sociedade continue  privilegiando os brancos, não considerando que os negros possam existir  em relação de igualdade, em que brancose negros deixem a relação de dominação histórica de longa duração  de sujeito objeto e possam interagir  como sujeito-sujeito. 

              Neste sentido, o artigo do Estadão não passa de um instrumento  racista, pois continua querendo guardar os privilégios materiais e simbólicos  apenas para o grupo branco.  E ai, parece que ter medo de colocar a  cor na plataforma dos pesquisadores é tão somente uma expressão clara de medo de perder privilégios !
               Chega Brasil ! já foi o tempo que estas opiões faziam eco ... O Estado Brasileiro assumiu o Racismo desde a época do Fernando Henrique na conferencia de DURBAN em 2001. O Estadão não tem vergonha de negar isto ?


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Tati Quebra Barraco. é Minha

Já é a terceira vez, em menos de uma semana, que alguma amiga minha vem me contar, pedir conselho, ou opinião sobre o fato de ter feito algo que pode parecer que ela seja vagabunda. (desde ser solteira e ter transado na primeira noite de um encontro com um rapaz, até perguntar se a roupa não esta parecendo muito vagaba). 

Amigas, de verdade eu entendo que com tamanha opressão machista sobre o corpo e comportamento feminino, onde qualquer "desvio" joga-se pedra na Geni, é dificil se libertar...mas por favor, enquanto vocês se preocuparem com isto vai ser difícil mudar. 

E quando passar na cabeça, será que isto é coisa de “vagabunda” ? aconselho um funk proibidão libertador . ( os amigos conservadores de plantão, é melhor nao ouvir)

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Bob Marley e a Paz Mundial


Bob Marley e a paz mundial


Uma vez na casa do meu pai  havia dois grupos  de  pessoas.  
Um era composto por uns gaúchos do interior.  Eles assavam carne o dia inteiro, ouviam sertanejo e tomavam vodka com red bull logo que acordavam. 

O outro grupo era compostos  por ouvintes de bossa nova, leitores de literatura classíca e semi vegetarianos.  

Eu estava lá imaginando como estas pessoas iriam conviver juntos  durante todo um carnaval.  

Havia duas violas competindo o som do jardim:  

Uma tocava  Garotos de Ouro, uma musica chamada "Vuco, Vuco" que dizia:

Você nunca me amou, e só me quer pra aquela hora,  me pega vuco vuco vuco vuco e vai embora”

 E na outra viola se escutava Desafinado de Jõao Gilberto:

“Se você disser que eu desafino amor 
Saiba que isso em mim provoca imensa dor
...Só privilegiados têm ouvido igual ao seu”

 Naquela disputa, em um momento o violeiro do Vuco Vuco pegou a viola e começou a cantar Bob Marley.    Em segundos  o violeiro bossa nova chegou ao lado dele,  juntaram-se os acordes e um olhou para o outro e disse: é, Bob é Bob... e o outro respondeu, pois é Bob é Bob !

Em uma outra ocasião, em um Bar em Jeruasalém ocidental que frequentavam arabes israelenses, israelenses judeus e palestinos cada  grupo em sua mesa, eu olhei e pensei: Bem que esta gente podia se juntar né ? E  em algum momento da noite começou a tocar Bob Marley todos se levantaram  e começaram a dançar juntos 
....o violeiro israelense puxou uma musica do BOB e o palestino acompanhou com sua viola.

Neste momento olhei com os olhos quase cheios de lagrimas e pensei, Bob é Bob !

http://youtu.be/XbIoCypfXts

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Nós e a Guerra.


Quando era pequena, minha família,  contava através de diferentes formas alguns pedaços da história da segunda guerra, as vezes era com o silencio de minha avó materna, as vezes com as fotografias de pessoas que se tornaram inexistentes pós guerra, as vezes  por um prato típico de comida que havia aprendido a fazer por causa da guerra e etc...

Quando eu fui para a escola, nas aulas de história tive contato com outra história da guerra, a história contada por aqueles que dela sabiam, tinham o conhecimento letrado e histórico porém não a memória.  
Demorei um pouco para juntar aquela história contada cheia de afetos pela família, com aquela contada nas salas de aula. Contudo, quando juntei custei (e ainda custo) a acreditar que havia sido verdade. Não passava no meu coração, sim, é algo que passa pelo coração e não pela razão, a possibilidade que humanos feito nós, havíamos deixado aquilo acontecer.

 Fila de pessoas em marcha para morte ? Campos de concentração ? Câmera de Gaz? Um simples sobrenome ou prática religiosa era o motivo para alguém morrer de forma tão cruel ? 

 Não, aquilo não era possível de ter acontecido !

 Me perguntava:  E ninguém fez nada ? E custava a acreditar que havia sido real.

  E porquê lembrei desta história hoje ?

 Abri mais uma vez a folha de São Paulo, e lá estava na manchete :





Com tanta informação que temos hoje em dia, mesmo assim pouco sabemos do que acontece aqui do lado.

  Contudo uma coisa fica muito lúcida, a população que morre é quase sempre a mesma: jovens, homens e negros na perifiria da cidade. Sendo “policia”sendo “”bandido”” ou o que chamamos de “ cidadoes do bem” estamos falando de uma mesma parcela da sociedade. Pois, provavelmente qualquer sujeito de classe media, branco, e que mora nos bairros centrais sabe e têm certeza que nesta guerra, que ocorre hoje na cidade de São Paulo, ele não é alvo, não será atingindo em uma “chacina”.

Enfim, digo isto, porque a verdade é que não estamos todos em uma guerra. A guerra tem uma população alvo, população esta que o Estado Brasileiro e todos os seus braços vem exterminando há mais de 500 anos de diferentes maneiras. Através da escravidão, do racismo estrutural, da situação de vulnerabilidade em que o Estado relega `a esta população, de uma ideologia que acredita que a vida de uns vale mais que outras,

E ai, minha pergunta, aquela que eu fazia quando era pequena volta com força total: E a sociedade não faz nada ? Como é que deixamos isto acontecer ? Naquela época a desculpa é que “não tínhamos informação”.  Hoje Temos.  E o que mas me dói é, que,  mesmo com informação não sabemos o que fazer - Ou não queremos? 


quinta-feira, 21 de junho de 2012


SE VOCE QUER NEM SEMPRE VOCE PODE !!

Por favor, amigos defensores da força do pensamento positivo e da subjetividade como poderes  inacreditaveis para mover montanhas ,  PAREM de fazer tão mal  aos seres humanos.
 Nosso poder de escolha não é tão grande assim !!!   Existe antes  de tudo tantos determinantes sociais, do acaso, estruturais  os ligados ao lugar, a classe, a raça ao genero , aos hormônios e etc... que nem sempre o que queremos podemos.

Vamos lá, nem sempre que você quer um amor e alguém você consegue. Precisa necessariamente do querer do outro ! e ai o seu 100% de pensamentos positivos e de desejo valem  nada diante do não do OUTRO.

Se você é pobre, mulher,negro, deficiente SIM,  você muitas vezes pode não conseguir o que luta por pura discriminação social de uma estrutura social racista, sexista e classista!  Contra isto nao há pensamentos positivos,  mas sim luta política ! e mesmo com luta política dependendo de quais são os poderes  na sociedade em que você esta inserido você pode ser preso ou assassinado !
Se você quer muito um emprego, pode fazer o maior pensamento positivo da sua vida, estudar pacas mas se tiver um familiar do chefe, ou um “quem indica” você tem poucas possibilidades.

O que quero dizer aqui é que a idéia de mérito das boas intençoes e pensamentos acabam por prejudicar muito as pessoas, que no final das contas se auto-culpabilizam por não conseguir algo, e que muitas vezes são questões bem maiores que elas. Que fique claro que  sou sim a favor do otimismo e também da fé, orações e seja lá o que for que conecte a pessoa com o lado bom da vida, estes ajudam a nos impulsionar ou levar a vida de forma mais leve. No entanto, precisa ficar claro que o mundo das oportunidades é bem maior do que nossos pensamentos e subjetividade.

Enfim fora isto tem as forças do acaso incontroláveis !! este papo de se você quer você pode, ou papo de livro de auto-ajuda  só faz  os seres humanos se sentirem fracassados, portanto, amigos que acreditam na meritocracia da subjetividade  por favor  parem de  escrever sobre isto.  Pois não ajuda em nada !

Grata.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

“Eu não sou racista, mas Deus é!” ou... Mais aspectos sobre a branquitude.


“Eu não sou racista, mas Deus é!”

“Eu não sou racista, mas Deus é!” foi a fala final de uma das entrevistadas para  minha pesquisa de doutorado que teve como o intuito pesquisa a branquitude paulistana . Após discorrer 3 horas sobre o que é ser branco e sobre o lugar do negro na sociedade brasileira, Fernanda (nome fictício) terminou a entrevista em tom irônico dizendo que apesar dela não ser racista sabia que:
“ser preto não é uma vantagem... Não é vantagem em lugar nenhum, é por isto que eu acho que Deus tem uma cisma... Eu não sou racista, mas Deus é!”.
 Assim, acaba a entrevista. Por seu impacto e desconforto esta frase revela muito do lugar do branco nas relações raciais brasileiras e, portanto, escolhi para representar algo forte sobre a branquitude. 
 Aqui, é importante pensar que a frase de Fernanda já nos diz muito, pois ela assume, por oposição, que ser branco é uma vantagem logo quando diz que ser negro não é. Logo depois, exime-se de responsabilidade em ocupar um lugar de desconstrução nesta situação, quando afirma, ironicamente, que Deus é quem é racista. Penso que a idéia de Deus, aqui, não se refere a algo religioso, mas sim a duas proposições características da branquitude: o racismo é do outro, e outro pode ser Deus, ser o vizinho, a sociedade etc. Diz respeito, também, ao que é transcendental e, por serem transcendentais, as desigualdades raciais construídas sócio-historicamente acabam sendo naturalizadas como algo dado e intrínseco,  por isto continuo pensando a importância de estudar os brancos com o intuito de desvelar o racismo, pois estes,  intencionalmente ou não, têm um papel importante na manutenção e legitimação das desigualdades raciais.

O ex presidente Lula e a frase "A Crise é Culpa de Loiros de Olhos azuis"


Apesar dos ânimos exaltados, e da falta de compreensão de muitos  quando em 2009 o ex Presidente Lula  disse que a crise economica era  'Culpa  de loiros de olhos azuis', acho que esta frase poderia sim resumir bem o que significa branquitude.  
Antes dos loiros de olhos azuis propriamente saírem gritando é preciso esclarecer a diferença entre brancura da pele e branquitude. A branquitude  se refere a um lugar de poder, de vantagem sistêmica nas sociedades estruturadas pela dominação racial.  Este lugar é, na maioria das vezes, ocupado por sujeitos considerados brancos. No entanto, a auto-inclusão na categoria branco é uma questão controversa e pode diferir entre os sujeitos,  dependendo do lugar e do contexto histórico. Portanto, é importante perceber que brancura difere de branquitude. A brancura são as características  fenotípicas que se referem à cor da pele clara, traços finos e cabelos lisos de sujeitos que, na maioria dos casos, são europeus ou euro-descendentes.
Se pensarmos que  nos continentes que encostam o Atlântico, ou seja Europa, Americas e África os meios de produção e o acumulo de bens  materiais, o poder econômico e politico estão na mão dos  brancos podemos dizer que o ex presidente Lula esteve mais lúcido do que nunca !  Sim, a crise, o racismo, e as desapropriações culturais simbólicas e materiais é sim culpa de loiros de olhos azuis, no sentido do que isto significa e nao da cor da pele dos sujeitos.  

domingo, 5 de fevereiro de 2012

sem palavras, sobre o silencio daqueles que deviam ajudar , e o caso do nosso amigo Evandro.

Queridos, divido com vocês a minha dor e revolta. Meu ex marido/namorado/ companheiro que dividi a vida durante 10 anos e hoje  atual amigo, pessoa que eu não tenho palavras para descrever o amor que sinto, nem para descrever a dignidade, o bom caráter e carisma.   Conheço desde que eu tenho 15 anos, Evandro Brito sofreu uma barbárie sem tamanho, uma violência que ainda nao há racionalidade que explique.

Ele e o amigo Erik estavam em garopaba, saíram  para pegar onda e depois saíram a noite. Voltando da balada os dois compraram um saco de batata frita  para comer. Nisto chegaram 3 caras e tentaram pegar a batata da mão  deles um deles  respondeu algo como: - o que isto ??!!  Depois da resposta os dois apanharam até quase morrer, como se isto nao bastasse os caras pegaram com o carro  uma chave de roda para covardemente bater neles : tentativa de homicídio. No momento do espancamento, a movimentação na rua onde se concentram os barzinhos e casas noturnas já era pequena, mas várias  pessoas fizeram uma roda para assistir.  Passado a violência gratuita, veio outra violência e esta que dói  mais, em mim e nele! Durante 5 horas ninguém prestou Socorro. A policia passou olhou para ele e pré-julgou que ele deveria ter sido   o causador da briga e que então merecia morrer ali desacordado. Literalmente falou isto ao Evandro: ----Vocês que arrumaram confusão merecem mesmo apanhar.  Enfim depois de horas o Evandro teve que fingir que foi atropelado para então um argentino que estava ali chamar o bombeiro, enfim  ele veio a Florianópolis de helicóptero desacordado com risco sério de vida. Poupo vocês o estado  que esta o rosto dele.  Mas hoje já não corre mais risco de vida.

Agora, sem palavras  para comentar o absurdo,  perguntamos: O que fez com que as pessoas olhassem  tamanho absurdo e nao ajudasse ? o que fez a policia pré julgar  que a culpa era dele ?  Nao tenho como confirmar, mas tenho quase 100% de certeza que a raça agiu contra ele. Olhando um negro ensangüentado nao deve ter passado na cabeça que este sujeito era vitima, a primeira opção é que ele era culpado.  Em um país  onde ensinam que negro é ladrão naturaliza-se isto.  



Nao tenho palavras para falar desta revolta.

 Como dizia marting Luther king : "O que me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais me preocupa é o silêncio dos bons." (Martin Luther King) .  Por ironia o Evandro defendeu mestrado em filosofia, com o tema dignidade humana.  Dedica a vida a ensinar ética.  Torço para que este acontecimento nao tire isto dele, e que ele continue fazendo esta diferença !

 E eu que aprendi através dele a sensibilidade para compreender o racismo do nosso país, estou, daqui a um mes defendendo minha tese exatamente sobre o tema racismo em psicologia social... Evandro, que você  saia desta e continue tentando fazer alguma diferença para humanidade !   Na minha você já fez… e faço as palavras de James Baldiw as minhas :

"E embora seja difícil imaginar nossa nação totalmente livre do racismo e do sexismo, o meu intelecto, o meu coração e minha experiência  me dizem  que isto é realmente possível.  Até este dia, em que nenhum dos dois existam mais, todos nós devemos lutar".  (James Baldwin)