quarta-feira, 27 de julho de 2011

frases que ouvi esta semana e gostei !

"cuidado quando for discutir com um idiota: Alguém pode olhar de fora e não saber quem é o idiota". (autor anonimo)


‎" o complexo só cabe ao complexado, por isto não deve ser enunciado" ouvi isto de um bêbado na rua que disse que eu era linda, ai perguntei onde estavam os óculos dele e ele me respondeu isto . Achei ele um gênio. !


"cuidado para onde você está indo, que você pode chegar lá" 

sábado, 25 de junho de 2011

biografia de Fela Kuti é lançada em São Paulo

Afrobeat: biografia de Fela Kuti é lançada em São Paulo

Autor revela peculiaridades e fatos marcantes da vida de um dos principais ícones da música africana

CULTURAMÚSICA - - 25/06/2011

Crédito: divulgação
A história do músico, compositor e multi-instrumentista nigeriano Fela Kuti pode ser explorada a partir de sábado (25/6), quando é lançada em São Paulo a biografia “Fela – Esta Vida Puta”, escrito pelo cientista-político cubano Carlos Moore, na Matilha Cultural. O livro narra a trajetória de um dos principais artistas do continente africano, cuja vida fora marcada por excessos, violência e lutas políticas. Durante o lançamento será exibido o documentário Music is the Weapon.
Olufela Olusegun Oludotun Ransome-Kuti (conhecido como Fela Kuti) nasceu na Nigéria em 1938. Filho de um pastor protestante e de uma ativista política (sua mãe foi a primeira mulher a dirigir um carro naquele país), foi para Londres estudar medicina em 1958, mas queria mesmo seguir a carreira musical. Lá, formou a banda Koola Lobitos e criou o gênero musical afrobeat - uma mistura de jazz, funk e ritmos africanos.
Subversivo e transgressor, Fela utilizou sua música para transmitir seus ideais contra o racismo e a favor dademocracia. Suas canções eram longas (algumas com mais de 20 minutos) e as letras falavam diretamente ao povo africano. Crítico ferrenho do regime militar nigeriano, foi alvo de vários ataques, teve sua comuna destruída e perdeu a mãe – morta após ser atirada de uma janela por policiais. No final dos anos 70, Fela construiu uma nova comuna, casou-se com 27 mulheres e tentou se candidatar à presidência do país. Morreu de Aids em 1997, aos 59 anos.
O autor da biografia, Carlos Moore (radicado em Salvador, na Bahia, há dez anos), concedeu uma entrevista àÉpoca São Paulo em que relata as peculiariadades e os fatos marcantes sobre a vida do músico.

Você foi amigo de Fela Kuti. Quando e como o conheceu?
O conheci em 1974, quando fui para a Nigéria trabalhar na produção de um festival. Nunca tinha escutado a música dele, foi acidental. Mas gostei tanto que o procurei e, imediatamente, nos tornamos bons amigos.

Eu levei anos conversando com Fela e tomando nota das conversas, mas ele sempre se negou a fazer um livro. Achava que não tinha sentido escrever para um público que não fosse o que ele almejava: os africanos. Assim, coletei o material para a biografia praticamente uma década depois, em 1981, durante dois ou três meses. Foi um momento difícil, em que Fela estava atravessando uma grande crise emocional. Ele estava muito abatido e deprimido por causa da destruição de sua comuna e da morte de sua mãe. Chegou a perder a esperança de que o povo nigeriano se sublevasse contra a ditadura militar que o esmagava e quis se suicidar. Além do mais, estou convicto de que ele estava sob total influência de um guru espiritual, que o manipulava. As nossas conversas foram gravadas em Lagos, em sua comuna, e depois em Paris. A essa altura, Fela estava bastante paranóico. É uma grande contradição, mas esta biografia só pôde ser feita porque Fela se sentia ameaçado de morte e até contemplava seu suicídio. Quando eu lhe apresentei o texto final, ele leu o relato de sua própria vida e ficou emocionado. Olhou para mim e disse: “Você é realmente um grande f … da … p ….”. Jogou o manuscrito no chão e me abraçou.
Fela Kuti e Carlos Moore em um de seus encontros. Foto: Arquivo pessoal
Como foi o processo de apuração do livro?
Como o livro é estruturado?
Não sabia se Fela ia gostar da maneira como tinha reconstruído a trama de sua vida. Eu corria um grande risco, pois tinha pedido e recebido a autorização dele para construir o livro em primeira pessoa, misturando falas dele e minhas. Por mais que tentasse, não conseguiria retratar o verdadeiro Fela falando dele em terceira pessoa. Soava falso. Eu queria uma narrativa viva e eclética, não-linear, que preservasse tanto a originalidade do relato como as características próprias da fala de Fela. Ele ficou contente com o resultado e eu também.
Na sua visão, quem era Fela? O que ele tinha de tão peculiar?
O Fela era um músico e compositor genial, que criou um gênero totalmente novo, o que não é algo comum. No século 20, surgiram diversos gêneros, que até hoje ninguém sabe ao certo quem criou, mas nós sabemos que o afrobeat é uma criação dele. A música é uma síntese de vários outros tipos de música e vem acompanhada de uma mensagem política. Fela utilizou a música para pregar o pan-africanismo, o que o tornou um artista totalmente distinto. Utilizar a música para derrubar o governo ou mudar as condições sociais não era comum na época, nem na Nigéria e nem fora.
Ele usava drogas?
Fela fumava maconha, que era difundida em toda a África, mas foi proibida pelos britânicos. Como ele se recusava a obedecer às leis, foi detido e levado aos tribunais diversas vezes. Isso era usado como pretexto para prendê-lo e violentá-lo por causa de suas posições políticas, intoleráveis pelo regime militar.
Com quantas mulheres Fela era casado?
Ele se casou com 27 colegas de trabalho, entre dançarinas, coristas e mulheres que conviviam com ele. Mas apesar do número de mulheres, ele teve apenas 7 filhos, pois os soldados militares deram muitos golpes em seus testículos, o que resultou em problemas de fertilidade.
Qual o maior legado deixado por ele?
Ele era de uma coragem extraordinária. Se recusava a se encurvar aos regimes militares e foi um grande líder contra o racismo. Ele acreditava que uma sociedade racista não poderia ser democrática, e isso é importante para o Brasil, onde há um nível muito elevado de racismo.
“Fela – Esta vida puta”, de Carlos Moore. Prefácio de Gilberto Gil. Editora Nandyala. R$35,00. Matilha Cultural: Rua Rego Freitas, 542. Tel.: (11) 3256-2636. Sábado, 25/6, 18h30. Entrada: 1 agasalho. www.matilhacultural.com.br

quarta-feira, 22 de junho de 2011

para onde vai o amor quando ele acaba ?

Quando era pequena sempre me diziam que existia o “ mundo do beleléu” e lá os guarda –chuvas, as canetas, os elásticos e fivelas de cabelo iam parar. Existia um mundo que cabia tudo isto ! e podíamos procurar, procurar e nada destas coisas voltarem... elas estavam lá bem escondidas e tínhamos que nos contentar em adquirir novos elásticos, guarda-chuvas, canetas e etc... Hoje pensei, será que é para este mundo que vai o amor quando ele acaba ? E uma amiga logo me perguntou: Será que existe o beleléu interno? Imagino que sim, é para lá que vai todos os amores que passaram ? ficam lá, existentes, porém guardados, escondidos?

sábado, 18 de junho de 2011

De novo, o tal do gênero !




De novo,  o tal do gênero !

Acordei hoje de ótimo  humor,  afinal  quando se acorda com um dia de sol lindo,  uma noite bem dormida  já é algo a se agradecer !  Fui andando feliz até a padaria aqui da minha esquina, de cabeça levantada quase cantarolando !  até que automaticamente  abaixei o rosto e fiz uma cara fechada, foi assim que aprendi desde pequena  que devo me comportar  quando passo  entre uma roda de homens. Estavam alí ingenuamente  conversando , parados, talvez também vendo o sol  e compartilhando piadas, amores, torcidas  ou qualquer coisa assim. Me pergunto: porque será que todos eles se sentiram na obrigação de olhar para minha bunda e fazer algum comentário ?  Seriam menos homens  se por acaso eu passasse  e  eles nem notassem ?  E eu, caso nao abaixasse a cabeça  e continuasse cantarolando com um sorriso estampado estaria automaticamente concordando que eles poderiam insinuar qualquer coisa ?  Vejam as relações de gênero se estabeleceram de tal forma e violenta neste pais sexista que me obrigou a temer, bem como obrigou aos homens que estavam ali interromperem um papo para obrigatoriamente terem que mostrar que desejam  mulher !   Seriam eles menos homens e viris  um para o outro caso não interrompessem a conversa para olhar uma mulher passar ?   E eu ? O que fui que aprendi, e como aprendi que deveria fechar a cara e abaixar a cabeça ?  para que ?  com qual função ?  a de não ser abertamente violentada ?  E porque uma simples roda de homens é vista  por mim como uma ameaça ?  Cheguei em casa com o pão na mão  e perguntei para minha amiga que mora comigo se ela também se sentiria  na obrigação de  baixar o rosto, e ela automaticamente disse sim ! e ainda comentou , Lia qualquer mulher faria isto !  Até este momento estava me questionando se era uma coisa apenas minha, e vi que não !  Fica aqui uma pergunta, como é possível que nós humanos construímos uma sociedade  que aprisiona o homem no lugar de ameaça e a mulher no lugar de possível vitima ?  Estamos os dois gêneros presos nesta lógica, que prejudica a todos nós  ?  Se sim, lutemos até o fim para libertar os carrascos e a vitimas ( que estão aprisionados igualmente)  nesta relação  violenta e sexista que criamos ! 

Os Crespos, Ira!

Para quem ainda não conhece a Cia de Teatro "Os Crespos"  aqui esta uma chance de conhece-los !


Os Crespos surgiu nas dependências da Escola de Arte Dramática/USP, em 2005 como um grupo de estudos intitulado Negros Enquestão para pesquisa e discussão da história e a situação do negro brasileiro na sociedade contemporânea.
Assistam !




terça-feira, 31 de maio de 2011

love is possible ?

Declarando que cansei por um tempo de ser revoltada resolvi que vou tentar pensar no amor, rs .

Cansei !

Cansei!

Cansei de me revoltar com o mundo !! será que tem volta ?  cansei de olhar com lagrimas as opressões nas quais estamos todos submetidos e submetendo os outros, cansei de olhar para esta parte do mundo, cansei de andar na rua e ver a policia parando negros e humilhando-os  pelo fato que são negros, cansei de saber/ouvir/ ver noticias de mulheres humilhadas, espancadas, estupradas, violentadas apenas por serem mulheres, cansei de olhar também para estes que estão batendo e ver o sofrimento também ali.  Cansei de olhar para o cinza,  quero me dar férias deste olhar ! Como é, e porque  meu olhar ficou treinado para isto ? Cansei, cansei !  quero saber ver novamente a poesia  deste mundo! Onde ela esta ?  onde foi parar a magia dentro de mim ? Tem como trocar o olhar?  Como faço para andar na rua e ao invés de chorar vendo os meninos vendendo balas no farol, olhar para eles e  me alegrar com o sorriso que ainda resta além de tudo ?   Dicas por favor .... porque absolutamente não há como viver olhando para a dor !  Dizem que o melhor de alguém, também é o pior deste mesmo alguém... Aquilo que me faz mais humana, que vem deste olhar treinado para ser sensível à aquilo que dói nos homens,  é o mais doce e também o mais amargo em mim... Há como deixar morrer um e não o outro ?




sábado, 28 de maio de 2011

"estupram-se mulheres feias aqui" Rafael Bastos





"Toda mulher que eu vejo na rua reclamando que foi estuprada é feia pra caralho." Rafael Bastos em seu programa de "humor"  .  Todos sabemos que é muito facil ser "comediante" usando os esteriotipos e  preconceitos contra mulheres, gays, nordestinos, deficientes ... Pois é só usar  a  propria cultura e preconceito que estao aí  a "favor" da perversão, mobilizando todo sadismo do psiquismo humano !  queria ver ele ser engraçado sem ter que mobilizar os estereótipos e preconceitos  que já  estão ai ! 



   Boa  resposta dada ao "comediante"  Rafael Bastos. 


terça-feira, 24 de maio de 2011

para quem vai a luta : Não esqueçam de levar junto São Jorge ! Ogum

Sobre a necessidade de ser amado e o pacto com agressores!

Sobre a necessidade de ser amado e o pacto com agressores!
Hoje, conversando com uma amiga, que assim como eu, não fica quieta, não compactua,  e não se faz de mansinha quando assiste cenas  de agressões, machistas, classistas ou racistas  percebi algo em comum que acontece quando anunciamos  aquilo que esta em nossa frente:  a violência,  a agressão  e etc muitas vezes é invertida e colocada naquele que faz o anuncio (caso do escracho).  
Deixa explicar melhor : andamos numa rua e tem uma bosta bem fedida na calçada, ai uma pessoa chega e diz : olha a bosta alí.  Muitas vezes,  o outro que escutou você dizer que a bosta estava lá sai reclamando que a pessoa  que anunciou que a bosta estava na rua é o culpado por acabar com o passeio feliz e cheiroso. Ou ainda, é como se este tivesse criado a bosta,  e não que a bosta já estava lá.  Estas pessoas são acusadas de estar acabando com a harmonia, ou com a convivência feliz, ou pelo menos com o dia bonito do outro, assim ao invés de acharem que é um absurdo cagar na rua e a bosta estar lá, acham um absurdo alguém apontar que cagaram na rua.
Assim é com o machismo, bem como com o racismo.  Você aponta que há uma violência ou um agressor na sua frente e plim !  como uma mágica a inversão esta feita ! você  vira o agressor !  Isto tem nome :  Efeito retorção : O “efeito de retorsão constitui-se quando “um contendor se coloca no terreno discursivo e ideológico do adversário e o combate com as armas deste, as quais, pelo fato de serem usadas com sucesso contra ele, deixam de pertencer-lhe, pois que agora jogam pelo adversário. A retorsão opera, assim, de uma só vez, uma retomada, uma revirada e uma apropriação-despossessão de argumentos: ela tem por objetivo impedir ao adversário o uso  de seus argumentos mais eficazes, pelo fato de utilizá- los contra ele” (Pierucci, 2000, p. 52). A lógica  é  que disto saem argumentos assim : as cotas  são  racistas,  o movimento feminista é opressor , e blábláblá !!!
Alem disto não podemos  esquecer  que  combater o racismo e o machismo não  é apenas  falar disto, é mais que isto, é abrir  mão  dos privilégios  materiais , simbólicos e psíquicos  que estes trazem.  Ou seja, em geral  nós nos constituímos com um aparelho psíquico que faz que nossa humanidade e dignidade seja construída através  de algo  chamado “reconhecimento”  que pode ser traduzido como amor. Em uma sociedade machista e racista  o grupo que é representado por homens, e por brancos são aqueles que tem mais reconhecimento social, não a toa homens ganham salários maiores que mulheres na mesma posição e  brancos mais que negros.  São os representantes  da “beleza” e da “inteligência”, não a toa as propagandas e novelas são repletas da beleza branca e da “inteligência” masculina.
E, por isto  anunciar agressão é difícil, pois além  de  precisar reconhecer que  o machismo e  o racismo são  de fato  agressões e violência, reconhecer que você esta em situação de desigualdade social,   também  vem com o fato de que você precisa abrir mão de ser amado pelo agressor e dos lugares simbólicos de poder dado ao homem branco na sociedade. E ai esta a cilada, muitos de nós não anunciamos  o agressor porque queremos ser amado por eles, queremos ser reconhecidos neste lugar de poder dado a eles, pois em nossa psique se formos amados por estes já é um reconhecimento ,  não a toa Frantz Fanon descreveu muito bem isto em “ pele negra, mascaras brancas” . A outra cilada que geralmente caímos  é que se formos amados pelo agressor, este vai deixar de nos agredir, pois nesta lógica, somos românticos, e pensamos se ele me amar não irá me agredir. Aviso aos navegantes neste trajeto : caso ele te ame, o máximo que você irá  ganhar é um agressor te amando, o que pode ser bem pior:  assistimos diariamente  homens machistas espancado (física e metaforicamente)  mulheres por “amor”.
Assim,  acabo este texto dizendo que  denunciar agressões também é exigir  reconhecimento  de outra forma, não pelo pacto, mas sim por aquilo que somos e não deixaremos de ser caso os agressores nos amem : mulheres, negros, gays etc... procurar o amor destes é compactuar e silenciar a agressão, tipo : “ se eu ficar quietinha, pode ser que ele me ame” Saia desta cilada e denuncie !   pois procurar amor de agressor é dolorido, você precisa ficar em silencio, e ainda aceitar a agressão ! E se por acaso você é uma das pessoas que luta contra a opressão, não faça isto, ! E lembre-se no dia que voce denunciar a bosta, e muitos  usarem do poder do agressor para tentar dizer que a bosta é você ! denuncie isto também  pois é  efeito retorsão.  Que nos caso dos agressores em geral é uma forma de manter os privilégios, e no caso de  quem compactua é para manter o amor destes !     
obs:  este texto serve para qualquer denuncia de opressão,  usei o racismo e o machismo como exemplos, mas pode ser outros. ah, e quando falo em homens e brancos , não me refiro aos sujeitos, mas sim  o lugar de representaçao dado a brancos e homens, e a todos àqueles brancos, negros, mulheres, gays, homens e etc ... que compactuam com esta estrutura !